AMÁLIA RODRIGUES

Deu voz ao Fado que com ela tocou corações e levou Portugal ao mundo, transcendendo  a sua condição.

Estranha forma de Vida

“Foi por vontade de Deus

Que eu vivo nesta ansiedade

Que todos os ais são meus

Que é toda minha a saudade

Foi por vontade de Deus

 

Que estranha forma de vida

Tem este meu coração

Vive de vida perdida

Quem lhe daria o condão

Que estranha forma de vida

Coração independente

Coração que não comando

Vive perdido entre a gente

Teimosamente sangrando

Coração independente

 

Eu não te acompanho mais

Pára, deixa de bater

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais

 

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais”

Medalha Comemorativa

Uma Medalha Cunhada de Amor

Edição Limitada

A frase proferida pela avó materna – «Nasceste com as cerejas» –, a cujos cuidados ficou entregue desde a mais tenra idade, haveria de marcar o seu nascimento alfacinha, que não foi assinalado pela família, levando Amália a fixar o dia 1 de julho para festejar o seu aniversário. A data precisa (23 de Julho de 1920) só mais tarde foi apurada.

Com Alain Oulman, jovem compositor francês nascido em Portugal (1928-1990), a ascensão irresistível de Amália conheceu, na década de 60, uma viragem decisiva. A intérprete do eterno “Ai, Mouraria” foi à árvore da lírica nacional e, num gesto de audácia que quebraria todos os estereótipos da tradição fadista, tomou dos poetas maiores as letras que, adaptadas por Oulman e amplificadas na sua voz, lançaram no meio fadista e intelectual alguma discórdia.

Porém, o LP «Busto» (1962), o polémico EP «Amália Canta Luís de Camões», o LP «Fado Português» (1964-65), o LP «Com que Voz» (1970), a marcar o reencontro com Camões, Pedro Homem de Mello, David-Mourão Ferreira, para além de Ary dos Santos, Manuel Alegre ou Alexandre O’Neill, foram os mais significativos frutos da nova faceta interpretativa de Amália, a juntarem no mesmo território emocional o seu público tradicional e um público mais erudito e sofisticado.

«Oh, malmequer mentiroso!/ Quem te ensinou a mentir?/ Tu dizes que me quer bem/ Quem de mim anda a fugir», conta a letra do seu emblemático fado. Uma das suas flores favoritas foi também perpetuada numa das suas joias, que a grande diva do Fado chamava “o meu malmequer”. Esta foi uma das peças que mais acompanhou a fadista fora do palco. Símbolo de uma mulher independente e divertida, vivia a sua vida com intensidade e paixão, sublinhando que «o que interessa é sentir o fado, o fado não se canta, acontece, sente-se, não se explica».

Amália possuia um apurado bom gosto, intuição e enorme sensibilidade que influíram nas suas escolhas, optando por letras que, através dos seus temas, do ritmo e da oralidade, melhor se adaptaram à sua voz e ao fado. Escolheu a lírica, escreveu pela sua pena e cantou o que sentia numa coerência total entre a vida e a obra. Fez sempre tudo de forma natural e despretensiosa, como apenas conseguem as grandes intérpretes e personalidades.

Amália Rodrigues, uma mulher do povo que revolucionou o fado e soube erguer-se acima da sua condição. A forma como se identificou com sentimentos, emoções e características de um povo, elevou-a à condição de simbolo e valor cultural à escala universal. A sua voz divina, de sublime beleza, aliada à capacidade prodigiosa de interpretar poemas, emprestaram a todo o seu legado uma inaudita e eterna singularidade.

A prodigiosa personalidade que foi um fenómeno global também deixou o seu lastro no teatro, em revistas populares e operetas, e no cinema, com presenças, nas décadas de 40 e 50, nos filmes “Capas Negras” e “Fado – História de uma Cantadeira”, baseado na vida da diva. Além destes, Amália conta com presenças cinematográficas nos filmes Sol eTouros, de José Buchs (1949), Os Amantes do Tejo (1956), de Henri Verneuil, Sangue Toureiro, de Augusto Fraga ( 1958), Fado Corrido, de Jorge Brun do Canto (1964), As Ilhas Encantadas, de Carlos Villardebó (1965) , Via Macau (1966) e Vendaval Maravilhoso, de Leitão de Barros.

Um Ícone de Portugal

Sobre o muito de que disse e escreveu sobre Amália, o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio resumiu: ” Amália fez da sua voz uma pátria, um bilhete de identidade, dela e nosso”.

O escritor David Mourão-Ferreira exaltou Amália como um heterónimo feminino de Portugal: “Amália: um “heterónimo” de Portugal, o “heterónimo” feminino de Portugal. Do que em Portugal existe de profundo e de fluente, de fixado e de erradio, de raiz e de flor, de tronco e de brisa. (…) De melancólicas melodias. (…) Amália: facetado espelho onde nos revemos, sempre com o espanto de nos surpreendermos magicamente favorecidos. Amália: voz inconfundível em que nos projectamos e através da qual temos divulgado, pelo Mundo fora, os mais secretos dos nossos segredos (…)”.

Manuel Alegre chamou-lhe “a voz da alma portuguesa” e “a voz de todos os versos”.

Coleção Centenário

Muito mais que proteger a sua memória, impõe-se honrar e valorizar Amália, porque este centenário merece celebração e comemora-se com emoção. Ter o privilégio de ostentar a marca “Amália” é também ter o imperativo dever de a homenagear e enaltecer.

Coleção Amalianos

“Amalianos” foi a designação escolhida por um grupo de admiradores e intransigentes fãs de Amália Rodrigues, que mantinham um encontro anual com a diva. O grupo tinha um cartão de identificação personalizado para cada um dos seus membros e usava também um anel e medalha exclusivos, esculpidos com o busto da fadista.